Um metro e cinquenta. Não tem muito mais que isso. É desajeitada — anda sempre apressada, pisando firme com os tênis mal amarrados, tropeçando pelos cantos e perdendo suas coisas sem fazer muita questão de melhorar isso. Quando sozinha, pega coisas que ninguém precisa, desde restos de fita até folhas secas do chão, e guarda tudo consigo para caso um dia se façam necessárias. O cabelo é uma bagunça e a justificativa usada é que o mesmo reflete o que se passa em sua cabeça (como se fosse um ótimo motivo). Anda de cabeça no chão, olhando a furto para as pessoas e tentando observá-las da melhor maneira possível. Apesar de possuir uma gama de camisetas, repete sempre as mesmas três com o casaco que já disseram um milhão de vezes pra parar de usar — "tem valor sentimental", é o que blefa em resposta. Os fones, quando não estão quebrados, estão fincados no ouvido com música alta cujas letras os amigos consideram emo demais pra eles. As unhas azuis escuras sempre mal feitas devido à preguiça e às práticas intensas de violão se sobrepõem às mãos gordinhas e branquelas, fazendo um contraste que a guria considera engraçado. Se adapta ao ambiente quando necessário — ou simplesmente conveniente —, e por isso nunca sente-se fiel a si mesma. Pra si, é como se estivesse interpretando um papel constantemente. E por isso gosta de ficar sozinha: Sem ninguém por perto, ela não é ninguém (e estranhamente, ela gosta muito de não ser ninguém).